Goiás no centro estratégico
Em artigo publicado no jornal O Popular, Alexandre Baldy sobre Aeroporto de Cargas de Anápolis e a posição geográfica privilegiada do Estado
O Brasil demonstrou amadurecimento político com a privatização da joia da coroa dos nossos problemáticos aeroportos. Com muito grau de certeza se fala em nova geração da infraestrutura aeroportuária do País. Dinheiro não vai faltar para custear o otimismo: são R$ 40,5 bilhões entre os investimentos previstos pelos concessionários e o arrecadado no leilão. Goiás tem a oferecer ao Brasil projeto estratégico no qual parte desses recursos seria muito bem aplicada. Trata-se da construção do Aeroporto de Cargas de Anápolis, obra fundamental para a consolidação do Estado como um dos maiores entroncamentos logísticos da América do Sul. O Estado possui vantagem geográfica estratégica que precisa se confirmar por meio de iniciativas desta envergadura.
Nosso Estado, tendo Anápolis como referência, faz a junção dos mais importantes e extensos eixos rodoviários do País. A integração das ferrovias Norte-Sul, Centro-Norte e Centro-Atlântica será um marco extraordinário de competitividade e de desenvolvimento e há ainda a possibilidade de se agregar o modal hidroviário ao sistema por intermédio da construção de eclusas que permitirão ampliar a linha de cobertura da hidrovia Tietê-Paraná.
No último mês realizei nos Estados Unidos encontros bastante proveitosos com operadores logísticos de grande porte, a exemplo das empresas Fedex e UPS, e ambas demonstraram entusiasmo em operar em Anápolis a partir do Aeroporto de Cargas. Eles acreditam muito no projeto, pois foram pioneiros da iniciativa nos Estados Unidos na década de 1970. Isso significa posicionar Goiás e Anápolis no mapa global de transportes expressos de carga, o que nos dará enorme diferencial de eficiência e competitividade.
A ideia é converter o Aeroporto de Cargas em âncora do projeto da plataforma multimodal de transportes de Anápolis. Trata-se de um centro concentrador de toda cadeia logística, onde se realizam atividades de armazenamento, processamento de produtos, fretamento, transporte, despacho aduaneiro, polos de serviços etc.
Além de remover gargalos de infraestrutura, o modelo logístico projetado vai criar inúmeras oportunidades de negócios, trazer novos empreendimentos, ampliar o parque industrial, agregar valor ao produto goiano, criar emprego de qualidade.
São sistemas testados desde os anos 1960 com eficiência na Europa e que se transformaram em modelo para a China e Cingapura. O Brasil, no setor de logística de transporte, ainda vive dilemas que remontam os anos JK. Temos oportunidade de dar o grande salto e posicionar Anápolis como eixo logístico central e estratégico do País e da América do Sul. Iniciativas que vão fazer Goiás decolar para segunda geração de desenvolvimento e nos situar estrategicamente em futuro próximo, quando o Brasil se tornará um dos mais importantes atores da economia global.
Alexandre Baldy é empresário, vice-presidente do Consedic e secretário de Estado de Indústria e Comércio
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